Uma resposta que pode clarear a mente de muitas pessoas no que diz respeito a esse assunto. Será um texto relativamente longo portanto, que os (as) interessados leiam-no com bastante atenção para não repetirem a falta de compreensão de alguns dirigentes que gostam de menosprezar o papel fundamental dessa energia.
Em primeiro lugar vamos explanar sobre Satanás, pois se faz necessário termos alicerces teóricos que formarão uma linha de pensamento sólida sobre o assunto, depois traçaremos esse nome com o de outras divindades até o esclarecimento que enobrece a Quimbanda Independente, ou seja, concede uma personalidade própria àqueles (as) que se reconhecem dentro de um enredo realmente opositor e não complementar. Para isso, usaremos como base falas ditas em poadcast de alguns seguidores da Quimbanda demiúrgica que nos ofende e certamente teremos a oportunidade de debater isso em esferas mais particulares nos momentos mais oportunos (sem cenas programadas), porém, por enquanto, iremos apenas pontuar certas falas para que exista um contra-argumento plausível e bem alicerçado sobre o assunto.
Uma das falas de maior relevância para nós foi a expressão: “A palavra diabo é higienista”. Nesse ponto concordamos em gênero, número e grau, porque muitas culturas foram destruídas com a tática de demonização dos deuses locais. A Igreja Católica foi um câncer no Brasil que perdura até hoje e esse câncer se dividiu (posteriormente – em outro momento histórico) em uma parte mais maligna: os pentecostais. Nesse exato momento, tudo que estava escrito na Bíblia porcamente traduzida se transformou em Lei, invadiu o que deveria ser laico e promoveu a higienização citada no início do parágrafo. Usar o diabo como argumento capaz de torturar, escravizar, matar milhares de pessoas, estuprar coletivamente originários, o povo preto e muitas mulheres bancas que foram deportadas (muitas vezes jogadas em cabarés) acusadas e condenadas por serem parte de um enredo que fugia aos padrões católicos. O Paganismo europeu foi destruído pelos códigos canônicos e por obras redigidas por abastados senhores (clérigos) com o intuito de dominação. Mate/demonize um deus que seu povo perderá a identidade, essa é a ideia da Igreja até os dias atuais.
Quando a Quimbanda foi sendo formada, porque se trata de uma construção de identidade, enfrentou um desafio enorme: a destruição de da fantasia religiosa. Já abordamos isso em outros textos, mas sempre que pudermos iremos reformar a ideia. Aqui no Brasil, grupos higienistas (esses sim racistas contumazes) aos poucos foram tendo contato com o culto trazido pelos Quimbandas (sacerdotes curadores) e vagarosamente começaram o processo de embranquecimento. Embranquecer não tem relação alguma com a cor da pele e sim da consolidação dos sincretismos que o povo preto foi obrigado a se submeter nas senzalas. Aproveitando-se da sabedoria milenar de pretos e nativos (senão não existiria o ridículo culto aos caboclos de cocares de penas tingidas que fumam charuto e usam uma linguagem arquétipa quase sem nenhum traço das línguas nativas) expulsaram e repudiaram os Kimbandas tornando-os inimigos da Umbanda.
Na África alguns Kimbandas gozavam de prestígio, eram renomados pelos processos de cura e solicitados por todas as classes sociais. A medicina legítima vinha desses sacerdotes cheios de conhecimento, porém, o processo de comercialização de escravos africanos trouxe no mesmo navio negreiro (camburão) tanto os feiticeiros de cura quanto os mulojis e nodokis (eram necromantes) e foram jogados na mesma senzala e chicoteados pelos mesmos motivos. Quem já esteve encarcerado sabe muito bem que dentro de uma cela são compartilhadas informações, técnicas, abordagens, enfim, acaba se formando elos que não existiam anteriormente. O leigo que gosta de falar academicamente jamais viveu isso, no máximo fez parte do Sistema que perseguiu pretos e pobres descontando nos mesmos suas frustrações e doenças psíquicas. Enfim, o mundo não é cor de rosa como muitos imaginam e o couro comia solto no Brasil colônia. Você pregar um conglomerado de informações acadêmicas JAMAIS retratará o que acontece dentro dos lugares obscuros, portanto, basear-se nisso é completamente sem sentido, até porque os reflexos perduram até hoje e duvido que alguém em sã consciência acredite que está tudo bem e somos todos iguais. Apenas os novos ditadores das Leis espirituais que se apegam na ciência (que é a única fonte que possuem) para explicar espiritualidade da Quimbanda desde a pré-concepção, demonização interna e a entrada da demonologia no culto como forma de dominar os povos originais, bem como os africanos.
Nem todos creem que deuses demonizados foram capazes de se manifestar nesse enredo, mas é inegável que que se tornaram conhecidos. Os próprios católicos não tiravam o nome do diabo, Satanás, Lúcifer e Beelzebuth da boca. Os pacíficos franciscanos trouxeram grimórios recheados de nomes e gravuras e começaram um processo de destruição da cultura local. Os deuses indígenas, os espíritos e seus antepassados divinizados foram sendo transformados em criaturas repugnantes e pouco a pouco a Igreja ia dominando e conquistando espaço. Os indígenas foram escravizados também e ocorreu o maior genocídio da Terra na américa. Centenas de etnias sumiram sem deixar legado algum, ou seja, nascemos num país onde os europeus fizeram o favor de destruir a vida sociocultural, estabelecer conceitos de pecado, cobrir corpos desnudos, ensinar língua estrangeira para que pudessem ler sobre os tentadores dos bons homens. E ainda tem gente que acredita nos dicionários. A imposição da cultura do medo que enfraquece os seres-humanos colocando-os nos labirintos horripilantes, mantendo-os insatisfeitos o tempo inteiro, jogados chispas de insanidade, traz o desespero e assim, acabam confundindo as coisas.
Exu é Exu, mas também bebe nas fontes mais obscuras, senão não seria capaz de nos tirar desses lodosos lugares. Pombagira é a Rainha que nos concede as chaves para sair do estado hipnótico, da obsessão e principalmente dos caminhos errados. Isso é a Quimbanda: o despertar: a feitiçaria são o conjunto de códigos encaixados perfeitamente para que Exu e Pombagira (Poderosos Mortos) possam nos redirecionar para vencermos as paranoias e outras perseguições imaginárias, bem como dos inimigos vivos e mortos reais. Não são entidades monstruosas, mas seres guerreiros (as) que são sustentados por forças que fomos doutrinados a temer desde a infância. Vivemos sob um intenso pesadelo produzido por escórias mentais e conforme formos obscurecendo certos pontos e clareando outros, encontramos um equilíbrio que nos fará diferentes da grande massa.
Leiam esse trecho e comecem criar as engrenagens necessárias:
“O termo caboclo, que desde os tempos mais remotos até estudos antropológicos recentes revelou um caráter discriminador da sociedade colonizadora, passa a possuir uma característica evolucionista-assimilacionista. Se pensarmos o índio como etapa inicial do processo evolutivo, em seu estado selvagem, o caboclo seria um meio caminho entre índio que já não pode ser e o branco que não quer ou não conseguirá ser. Produto da cultura ocidental é por ela condenado ao desaparecimento por “leis naturais”, já que não está “apto” a sobreviver numa sociedade civilizada. (MATA, 2014: 67)”
Na nossa história tivemos pontos de resistência fortíssimos. Originais e pretos que não se renderam, rebelaram-se contra o Sistema imposto, em contrapartida, muitos foram catequizados e passar agir como os jesuítas os ensinavam. Mas, até agora, não adentramos profundamente no assunto verdadeiramente importante: Satanás, Lúcifer, Beelzebuth, etc.
Quem trouxe esses nomes para o Brasil? A Igreja, seus padres e jesuítas. Quem traçou as comparações? A Igreja, padres e jesuítas. Quem calou os cânticos nativos? A Igreja, padres e jesuítas. As (Os) deportados pelo Santo-Ofício (oficialmente cerca de 1000 pessoas) vieram para cá repleto de novas informações. Se por um lado a Igreja mostrava o Satanás bíblico, ou melhor, uma faceta de Deus, por outro as exiladas mostravam que existiam espíritos que eram antinomianos, ou seja, completamente contrários às Leis, ao Cristo, à Igreja e incentivaram muitos retomarem a fé em seus deuses primordiais e usarem seus conhecimentos para atacar espiritualmente e materialmente os invasores, mesmo que fosse desproporcional a luta. Que fique claro: Existem dois tipos de Satanás:
O primeiro é uma construção da Igreja que finge ser opositor, mas sua verdadeira função é punir, testar e atentar os cristãos para que andem dentro dos ensinamentos bíblicos. (Vide capítulo de Jó na Bíblia). Acreditamos que seja uma face do próprio Tirano, uma fantasia que ele usa para manter as pessoas acorrentadas. A Imagem foi modelada usando partes de diversos deuses que acabaram sendo demonizados pela Igreja justamente porque suas condutas não eram condizentes com a rigidez que eles impunham (e ainda impõe em silencio). É o principal sustentador do São Cifrão (termo de Adriano C. Monteiro) tão importante para o domínio da Igreja. A Quimbanda Brasileira, por sua vez, estimula que seus adeptos (as) aumentem o nível de seus estudos e práticas para que aos poucos inflamem a chama que despertará o Eu Verdadeiro, o Superior, e somente isso é capaz de leva-lo ao progresso. Quando estamos em egrégora despertamos exatamente aquilo que manipularemos na solidão.Por esse motivo o (a) quimbandeiro (a) faz um voto de silencio ao ser batizada/iniciada dentro de um templo sério. Ela passa ser uma peça antinomiana, pratica feitiços que corroem as condições grosseiras da massa. Ele lutará com todas as suas forças e as de seus Mestres Exus e Pombagiras contra os costumes viciosos que o Tirano adora desenvolver nos pensamentos humanos. Aprenderá repelir esses impulsos. O Satanás bíblico não é opositor, mas uma face escrava que estimula o comportamento em massa e cabe ao quimbandeiro (a) fechar seus corpos para o que midiaticamente tem capacidade de corroê-la. É uma missão difícil, porque de certo modo lhe distancia de 99% das pessoas que vibram na sintonia manipulatória. A Bíblia diz: “não cobiçarás a mulher do próximo, mas a coloca seminua estampada numa capa de revista”. Inevitavelmente, as mentes despreparadas e condicionadas pela pornografia e sexo casual olharão fixamente e centenas de milhares de pensamentos enlameados subirão à sua mente tornando-a ainda mais manipulável. Satanás Bíblico, o mesmo que tentou Jó, é a face que gosta de brincar com os bonequinhos humanos, não gosta de pessoas que estudam e meditam e expurgam -através da feitiçaria - as energias de manipulação. O Tirano (Deus) se orgulha em ver os humanos à sua semelhança, cheio de defeitos e doenças, mas sempre fingindo ser o que não é. Essa é a natureza de sua fantasia de chifres e rabo nomeada como Satanás. A própria natureza de Deus é ameaçadora, ele supostamente nos criou para nos amedrontar, adoecer, esperando que sejamos complacentes com tudo, acreditando piamente que que são provações porque somos frágeis, facilmente mortos e descartáveis. Vingativo e irado, Deus é o mal. Leiam esse trecho da Cabala de Satanás-Panteu do livro II de Guaitá (Ed. Pensamento):
“22. THAU: O mundo é mau, se Deus o criou, foi Deus que quis o mal. Se quis o mal é um Deus às avessas: Seu nome não é IODHEVE, mas HEVEHOD, quer dizer, SHATAN."
O Segundo é a designação de opositor, a serpente mais astuta entre todos os animais (e isso edifica a ideia de que o mundo foi diretamente feito por Nurã (a Mãe serpente), o bandoleiro fora-da-Lei, o espírito que vai usar artimanhas e todas as armas possíveis para combater o Sistema. Ele é o portador do conhecimento paralelo, invejado por Deus e como uma fonte incessante que transmite aos Poderosos Mortos ( a resistência capaz de estar na terra através do conhecimento dos fetiches e mandingarias) quais são os caminhos para a compreensão individual. O Satanás – diabo antinomiano é o responsável pela criação do discernimento que Exu/Pombagira nos ensina muito conhecimento através dos trabalhos direcionados que propõe. O antinomiano não é o ser que deseja o estrelismo, ao contrário, se oculta nas sombras e faz seu trabalho tocar a alma de seus irmãos e irmãs que necessitam das fagulhas para despertarem. Isso faz com que nossos impulsos de indolência e inércia sejam modificados pela ação de Exu e Pombagira, nos transformando em seres ativos, frios, calculistas e não-afobados.
Sendo assim, Satanás ou Satan, não se trata de um nome, mas de uma conduta, um estado de ser e estar. Ele existe porque está lutando desde o princípio e o Tirano usou-o como bode expiatório culpando-o pelos pecados da humanidade, pelos erros, desvaneios, taras, enfim, todo tipo de comportamento inadequado à régua moral da Igreja era obra do diabo Satanás. Mas, a culpa não é do opositor real e sim do fantoche de Deus que ele nomeou com o mesmo nome para confundir a mente das pessoas. Deus odeia seres-humanos que se superam.
Apesar de usarem o mesmo nome (assim como Exu/`Esú) são seres completamente diferentes. A realidade pessoal, as experiencias em determinados níveis de consciência, o combate às energias escravistas relatadas como karmas (injustamente, afinal sequer imaginamos onde erramos) faz dos homens e mulheres livre da ilusão e apto (a) a guerrear a seu modo contra esse Sistema (mesmo que a luta seja apenas um grão de areia, jogue-o no olho de alguém e veja a irritação causada). Satanás não tem absolutamente nada haver com o Ego irado e infantil de Deus, ao contrário, se opõe ao aprisionamento da individualidade, deseja que cada ser tenha o Direito de exercer suas vontades e desejos desde que se capacite para tal. Exu e Pombagira tem o mesmo discurso porque são mortos que absorvem as emanações pura de seres antinomianos. Os filhos (as) da Quimbanda legítima deram seu grito de guerra e por alguns segundos acuaram Deus, pois em sua posição Ele jamais imaginaria que uma doença como essa fosse tomando espaço. Não se trata só da Quimbanda, mas das religiões ou cultos que não são influenciados por nenhum de seus preceitos. A Quimbanda Brasileira é aclamada porque não inverte os símbolos, cria seus próprios e usa a blasfêmia como forma de desconstrução mental.
Lúcifer, tem como principal função a criação de uma consciência que unifica a mente e a alma e isso produz uma chama, uma luz interna o que tende a salvar-nos das ilusões do mundo. Desenvolver esse contato, trazendo a auto iluminação, após um período de inquietação (busca incessante por respostas). Representa a esmeralda universal (solicitada para nossos assentamentos). Para a Quimbanda é a força que desperta a lucidez e nos dá resistência à animalidade do culto tirânico. Ele não é o orgulho infundamentado, mas o dom da inteligência, do conhecimento, das autodescobertas. Nos transformamos em armas, mentes com capacidade de discernir. O Quimbandeiro acaba se sintonizando indiretamente (o que é diferente de dar os créditos do trabalho de Exu e Pombagira para tal força). O elitismo cai por terra, porque as respostas são transmitidas de forma simplória, porém, extremamente efetivas. Os Poderosos Mortos bebem dessa fonte para nos aconselhar e direcionar. Lúcifer é um nome evocado ou invocado na Quimbanda para nos proporcionar forças que atuam em nossos corpos astrais. Também é responsável pelo processo de lapidação da consciência do homem e da mulher, do relacionamento saudável. Deus não quer ensinar nada, ele permitiu a escrita de um livro chave, que até tem certos mistérios que podem ser decodificados, mas se limitou a isso e as possíveis interpretações derivam-se de trechos que muitas vezes beiram ao ridículo.
Essa politicagem ocorre (infelizmente) dentro da Quimbanda. Existem dirigentes que não conseguem enxergar que essas forças contribuem para que oe Exus e Pombagiras permaneçam livres, escapem da perseguição, tenham armas capazes de combater as hordas do Tirano. Os filhos (as) da Quimbanda podem ter insatisfações, mas não vão ficar pelos cantos choramingando, vão lutar, porque tem seus Mestres ao seu lado e certamente vitórias virão, mesmo que a guerra seja ferrenha. Deus é tão ardiloso que consegue jogar um quimbandeiro contra o outro, porque assim, aos poucos, vai destruindo o que poderia ser uma forte coluna capaz de estorva-lo.
Que fique claro nossa posição: Somos uma Quimbanda denominada “Quimbanda das Almas”, mas, todas as Quimbandas – sob nosso ponto de vista – cultuando ou não essas fontes, também são. Essas energias agem sem serem incitadas, clareiam a mente dos que trabalham com convicção e fé, todos nós somos luciferianistas e satanistas, só que estamos do lado bandoleiro, da justiça paga com sangue. Pensem que se deus é como nós, possui pontos de vulnerabilidade e esses devem ser explorados. Infiltrem-se, corrompam, usem seu tempo (que é pouco) para estudar e passar adiante suas ideias. Não permita que apenas uma ínfima parcela tenha acesso a VERDADEIRA face do horror, da ira, da gula, da avereza, do orgulho. Deus decretou a submissão da mulher, a fez instrumento dos homens, saciam suas necessidades. Poligamia, incestos, adultério, enfim, ele decreta que as mulheres devem abaixar a cabeça e aceitar o fato de ser imunda por duas semanas por parir outra mulher. Que Maioral, na sua face feminina, receba da Senhora Pombagira Rainha da Morte (que um dia combaterá Azrael – Anjo da Morte de igual para igual) sua gadanha e tenha forças para decepar as sete cabeças desse Tirano Hidra.
Assim desejo em nome de Exu e Pombagira. Eles são a diferença do mundo. A palavra diabo deve ser honrada porque se é higienista, chegou a hora da Chama Negra limpar a Terra das imundices sádicas desse ditador.
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